ELIEZER BATISTA NO SESEF:
"SEM TREM E EDUCAÇÃO NÃO HÁ FUTURO"
Ao agradecer o título de “Engenheiro Ferroviário Emérito”, com que foi homenageado pelo SESEF e pelo Movimento de Preservação Ferroviária, Eliezer Batista, ex-presidente da Vale do Rio Doce e ex-ministro de Minas e Energia, afirmou que o trem e a educação são indispensáveis para o futuro de qualquer país.

Eliezer Batista recebe de Jorge Moura, Diretor Executivo do SESEF,
o diploma de Engenheiro Ferroviarista Emérito A entrega do titulo ocorreu no dia 28 de maio, na Estação Barão de Mauá, e o diretor executivo do SESEF, Jorge Moura, fez um paralelo das vidas e visão empreendedora de Eliezer e Mauá, construtor da primeira ferrovia brasileira. Em centenas de viagens ao exterior (178 só ao Japão!), Eliezer convenceu as siderurgias asiáticas a fazer grandes contratos com a Vale e tornou a empresa – na época estatal – uma das maiores em todo o mundo (leia a íntegra do discurso de Jorge Moura ao fim desta matéria).
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Eliezer com o engenheiro Hélio Suevo, da Valec
(em pé), Jorge Moura e o reitor Hélio Alonso |
Eliezer com o professor Victor Ferreira (ao centro) e Genésio Pereira dos Santos, diretor do MPF, visitam o stand da Associação Brasileira de Ferreomodelismo, na Estação Barão de Mauá |
Eliezer mostrou que, aos 86 anos, mantém a mesma energia e a mesma preocupação com o crescimento econômico e a redução das desigualdades sociais, que sempre marcaram seu trabalho e suas responsabilidades públicas.
Estiveram presentes ao evento dezenas de dirigentes de associações empresariais e profissionais de engenharia, velhos amigos e companheiros O presidente Lula não pôde comparecer, mas enviou calorosa mensagem, da mesma forma como os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Franklin Martins (Comunicação), Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Barreto (Turismo).
Em sua fala de agradecimento, Eliezer disse que acredita firmemente na volta do trem como meio de transporte decisivo para o crescimento econômico do país da mesma forma como acredita que “sem educação não existe futuro”. Após a homenagem, foi exibido o documentário “Eliezer Batista, o engenheiro do Brasil”.

Jorge Moura com o vice-presidente da ABIFER - Associação Brasileira da Indústria Ferroviária
Discurso de Jorge Moura:

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“Poucas vezes na vida tive tarefa honrosa e agradável como esta de falar sobre um homem público tão importante para a história contemporânea brasileira como Eliezer Batista". |
Eliezer com Jorge Moura |
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“Engenheiro recém-formado, emerge, logo após o fím da II Guerra Mundial, como um empreendedor visionário a serviço do projeto de um Brasil moderno e industrializado, surgido com a Revolução de 1930, mas ainda, nos anos do Estado Novo, confuso entre a necessidade de reformar as instituições da Velha República e a resistência à onda democrática que varria o nazifascismo.
“Eliezer, aos 25 anos, jovem engenheiro da Vale do Rio Doce, já mostrava a convicção de que somente o rápido desenvolvimento econômico e insaciável sede de aprender poderiam conduzir nosso país à condição de rico e menos desigual. “Você é o conhecimento que você tem” é uma das frases mais significativas da filosofia de vida de Eliezer.
“No filme que, daqui a pouco, encerrará esta homenagem, todos testemunharemos como mesmo hoje, aos 86 anos, Eliezer ainda se emociona às lágrimas, com o sonho de que os trabalhadores de hoje terão filhos e depois netos, com níveis sempre superiores de educação e prosperidade. E também conheceremos o importante papel de d. Jutta, companheira, âncora da família e dos sete filhos, e seu porto seguro entre centenas de expedições desbravadoras pelo mundo afora.
“Na Vale ele vai subindo até a presidência, nomeado por Janio Quadros em seu último ato como Presidente da República, já unanimemente respeitado na empresa, por suas propostas e decisões audaciosas, sempre condutoras a níveis superiores de eficiência.
“Revoluciona a logística com seu conceito de que navios e portos poderiam reduzir a “distância econômica”, independentemente da “distância física”.
Monta um sistema de comercialização capaz de reduzir custos e ampliar a clientela internacional. Torna-se caixeiro-viajante do Brasil, fluente em vários idiomas e interlocutor confiável em novos mercados asiáticos.
“Aos 38 anos, em 1962, Eliezer foi decisivo para o projeto e a construção do porto de Tubarão, como ministro de Minas e Energia. Mas é demitido e acusado de comunista por militares no golpe de 1964.
“Foi presidir uma empresa privada, a Caemi. E, como o próprio Eliezer definiu, “era Caemi ou cadeia, não foi difícil escolher”. Ele já fora incorporado, então, ao time dos políticos e intelectuais sonhadores com um Brasil rico e mais justo, como Getúlio Vargas, Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, Celso Furtado, Antonio Dias Leite, Oscar Niemayer, Lúcio Costa e muitos outros, com destaque para San Tiago Dantas, que, ministro da Fazenda, o apoiou com máxima energia no projeto de Tubarão.

Eng. Aury Sampaio com o Diretor Executivo do SESEF Dr. Jorge Moura.
“A Vale do Rio Doce ao ser privatizada na década de 90, já pertencia ao seleto grupo das três ou quatro maiores fatias do mercado mundial de minérios.
“Agora, Eliezer, o Brasil precisa novamente de você, seu cérebro privilegiado e seu compromisso com o progresso e a justiça social. O trem está voltando, Eliezer.
“Esta linda estação tem o nome do outro grande empreendedor ferroviário, o Barão de Mauá, que inaugurou a primeira ferrovia brasileira um século antes de você trabalhar na melhoria da Vitória-Minas.
“Aqui queremos lhe dizer que precisamos de você na batalha da logística, para convencer a consciência nacional de que a busca constante da “distância econômica”, sua idéia que revolucionou o mundo dos transportes, é indispensável a um país continental como o nosso, mais de 4 mil quilômetros de norte a sul e de leste a oeste, mais de 7 mil quilômetros de litoral marítimo, mais de 10 mil quilômetros de rios e fronteira seca.
“E também com a preocupação que você já demonstrava com a preservação de nossas florestas e da natureza em geral. Ferrovias e portos modernos continuam a ser, como v. insiste há mais de meio século, ferramentas indispensáveis para um Brasil poderoso e justo.
“Inspirados pela memória do Barão de Mauá, esta é a nossa sincera mensagem: Ainda precisamos muito de você, ferroviário Eliezer.”
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