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Ignácio de Loyola Brandão resgata histórias da ferrovia

 

Novo livro apresenta crônicas dos tempos áureos da estrada de ferro

29/10/2011 - 16:35

O jornalista Ignácio de Loyola Brandão lançou na sexta-feira (28) em Araraquara o seu 37º livro. Em A Morena da Estação , o autor conta algumas das histórias que habitaram o imaginário das pessoas que, assim como ele, viveram os tempos áureos das ferrovias que atravessam as cidades do interior paulista.

O cenário escolhido para apresentar a nova obra foi a antiga estação ferroviária, hoje transformada em museu. Embora as plataformas não recebam passageiros desde 2001, o som dos trens cargueiros – que ainda correm ao lado do prédio – recriaram parte da atmosfera que Brandão procura reconstruir nos textos.

“Por acaso, tinha um trem parado naquele momento e, de vez em quando, ele apitava. Todo clima e todo o ambiente estava lá, dos velhos trens e das velhas estações”, conta o escritor. “Pra mim, foi emocionante”.

As crônicas de A Morena da Estação são, como revela Brandão, tentativas de resgatar “emocionalmente” o passado da estrada de ferro. “Eu queria recuperar um mundo perdido”.

Para resgatar o universo dos antigos ferroviários, profissão de seu pai, tios e irmãos, ele recorre a personagens reais e imaginários, sem se preocupar em distinguir fantasias e verdades.

“A Morena da Estação era uma pela qual os homens se apaixonavam. Ela passava nos trens da madrugada e atirava a mala dela dizendo: eu volto. Então, teve gente que ficou anos segurando uma mala que ninguém sabia dizer de quem era”, conta. “Isso pode ter existido, como pode não ter existido”.

O autor

Nascido em Araraquara, em julho de 1936, iniciou sua carreira produzindo contos em 1965. Foi jornalista a vida inteira e ainda hoje faz crônicas para o jornal O Estado de S. Paulo . Com o livro infantil O Menino que Vendia Palavras ganhou o Prêmio Jabuti de melhor ficção em 2008.