Por José Claudinei Messias - Diretor do Sindicato dos Ferroviários da Zona Sorocabana
Há dez anos, teve início a maior luta contra os desmandos de uma empresa concessionária de serviços públicos, na área de transportes de cargas e passageiros, após um processo equivocado de desestatização, e que foi utilizado em todas as ferrovias do país.
Com relação ao transporte de passageiros de longa distância, o que vimos foi praticamente a extinção desse modal no país, ficando apenas o transporte de cargas, gerando verdadeiros cemitérios de vagões em todos os cantos de nosso estado.
Tivemos também a desativação de centenas de quilômetros de ferrovia eletrificada, gerando verdadeiros cemitérios de locomotivas elétricas, que era uma opção econômica e corretamente ecológica.
Por conta desses desmandos, em todos os cantos do país, tramitam no poder judiciário ações contra as concessionárias do transporte ferroviário, e a empresa recordista nessas ações é a ALL - América Latina Logística do Brasil. Entre essas ações, destaca-se a tentativa de erradicação de um trecho altamente produtivo, entre Presidente Prudente e Presidente Epitácio, onde os trilhos chegaram a ser removidos e substituídos por sucata.
Após rápida e forte ação por parte do Sindicato dos Ferroviários, a empresa foi obrigada a paralizar o processo de desativação desse trecho, iniciando uma batalha que durou mais de dez anos e se tornou símbolo nacional da luta pela manutenção do transporte ferroviário no país.
Nesse mês de agosto, finalmente podemos ver novamente a movimentação de trens nesse trecho, com capacidade para transportar todo tipo de cargas, tanto em direção ao Porto de Santos quanto Paranaguá e países do Mercosul, gerando empregos em toda a malha ferroviária, não só daquela região, mas por onde os trilhos passam.
Durante esses dez anos, multas foram aplicadas (sendo a maior, no valor de R$ 5 milhões, revertida integralmente ao Hospital do Câncer de Presidente Prudente), a sociedade civil foi mobilizada e o Ministério Público Federal teve papel fundamental para o final dessa luta, agindo com seriedade e austeridade.
Muita coisa ainda tem de ser feita e, exemplos como esse devem ser seguidos, com perseverança e paciência, pois problemas e desmandos existem, não apenas nas concessionárias de transporte ferroviário e, com certeza, vitórias como essa só vem após muita luta. |