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ESTAÇÃO: O CANTO DA DOR
- Ivan Lins


Trem, prá mineiro, é tudo. "Eta trem bom...", "Me passa esse trem..."..

É que trem e mineiro nasceram um pro outro. Isso já há muito tempo. Trem é magia, é lirismo. Nostalgia da infância, memória viva de Minas, símbolo da mineiridade.

E trem sem estação é trem sem casa. Estação: porto de chegada, porto de partida. Ponto de encontro e de despedida, alegria de quem chega, trizteza de quem parte. Lugar até de namoro, de confidências, de inconfidências...

Em nosso Brasil, porém, tão descuidado com seu passado, tão displicente com o futuro, o trem está relegado a segundo plano e as estações condenadas ao abandono e à degradação. São a casa do trem do esquecimento brasileiro: não viemos de lugar algum e não vamos a lugar nenhum.

A Estação Ferroviária de Porto Novo, em Além Paraíba - MG, é um retrato vivo do descaso em relação à ferrovia, à história da cidade e às conquistas do seu povo. Como se pode ver pelas fotos de Pury e Carlos Moura, a dor do abandono não consegue matar a beleza da estação, ainda majestosa em suas ruínas.

É preciso que gritemos; que, juntos, cantemos a dor da estação (alegria e paixão de nossos antepassados) e a agonia do trem. Quem sabe nosso canto, nosso grito de protesto, ajude a salvar a bela Estação Ferroviária de Porto Novo e a ressuscitar o trem, esse transporte tão importante para a estação futuro.


Ivan Lins, cantor e compositor, participa do MPF - Movimento de Preservação Ferroviária, que lhe concedeu o título de Ferroviarista Emérito.
Ivan escreveu este texto especialmente para a apresentação da exposição "Estação: Cor & Dor", com fotos do artista plástico Pury, de Juiz de Fora, e do artista e historiador alemparaibano Carlos Torres Moura.
Cabe registrar, também, que Ivan esteve pessoalmente visitando as ruínas da Estação de Porto Novo, em Além Paraíba, participando de um ato público em prol de sua restauração e revitalização.

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www.estacoesferroviarias.com.br