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O TREM
- Josil Deslandes
O trem é o tapete mágico que nos leva a voar, ainda que não saia do chão.
É assim: ele corre, balança, alcança, avança,
fazendo do mágico truque das suas rodas e freios,
o esteio para a solidão do viajante.
Carrega dentro de si mais que passageiros,
carrega os sonhos dos poetas,
a realidade das meninas,
o anseio do velho em busca do novo.
Vai desenhando com a fumaça os traços da imaginação,
que um dia tentamos eternizar através do tempo.
Sobre a via, permanente e única companheira,
corre atrás do tempo perdido ou entregue à sorte,
e na frente do derradeiro golpe da freada,
a parada para o embarque ou desembarque,
o ataque dos passageiros, na busca incessante do chegar e partir,
muita vezes, do voltar sem ir.
Ele caminha, o tempo passa,
o homem sonha, a fumaça desenha,
e o poeta, vislumbra o que ninguém pode ver,
suas palavras sobre o papel,
nos trilhos da caneta, numa composição literária,
buscar o encontro no infinito paralelo da via,
ainda que tardia, ainda que singela. |
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