D
I V I N Ó P O L I S
- Adélia Prado
As hastes das gramíneas
Pesavam de sementes
Sob uma luz que,
Asseguro-vos,
Nascia da luz eterna.
Quis dizê-la e não pude,
Ingurgitada de palavras
Minha língua se confundia.
Cantei um hino pouco conhecido
E foi pouco:
Disse obrigada, Deus,
E foi nada.
Em meu exílio,
Meu estômago doeu um pouco,
Pelo falso motivo de que,
Sofrendo,
Deus me perdoaria.