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D I V I N Ó P O L I S
- Adélia Prado
As hastes das gramíneas
Pesavam de sementes
Sob uma luz que,
Asseguro-vos,
Nascia da luz eterna.
Quis dizê-la e não pude,
Ingurgitada de palavras
Minha língua se confundia.
Cantei um hino pouco conhecido
E foi pouco:
Disse obrigada, Deus,
E foi nada.
Em meu exílio,
Meu estômago doeu um pouco,
Pelo falso motivo de que,
Sofrendo,
Deus me perdoaria.
Foi quando o trem passou,
Uma grande composição,
Levando óleo inflamável.
Me lembrei de meu pai
Corrompendo a palavra
Que só usava para trens,
Dizendo "cumpusição".
O último vagão na curva,
Passa o pobre friorento,
De blusa nova ganhada.
Aquiesci, gozoza,
A língua muda,
A folha branca,
A mão pousada.
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